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Xuxa escreve carta comovente sobre a morte de Isabella

O crime que comoveu e indignou o país também causou reações entre os famosos. A Rainha dos Baixinhos, Xuxa, escreveu uma carta publicada na página de Opinião do jornal carioca O Globo neste sábado (5), sobre a morte da pequena Isabella, 5.

No texto, Xuxa mostra indignação e pede o fim da violência.

Leia na íntegra a carta:

(Vamos gritar juntos!

Quantas Isabellas vamos perder até entendermos que violência e educação não combinam?

Será que não é o momento de as pessoas perguntarem se realmente educar é bater?

Se precisa bater para educar? Será que é necessário agredir, machucar, tirar sangue de uma criança, para educá-la?

Ser o “responsável”, dá direito a bater  na  criança, com a frágil desculpa de que se está  educando?!!!!

Assim como outros comportamentos absurdos foram mudados (a escravidão; bater em mulher), está na hora de mudar essa “cultura” de que o pai, a mãe ou o responsável têm o direito de bater em uma criança, para educá-la.

A violência dentro de casa pode começar num olhar raivoso, berros, um tapinha, um empurrão, um beliscão até chegar à tragédia de atirar uma criança pela janela.

É nesse mundo violento que queremos viver? Até quando?

O pensamento de algumas pessoas é que, “como eu apanhei quando crianças e estou aqui” – dizem alguns com orgulho – “vou repetir a fórmula, também baterei em meus filhos para ‘educá-los’”. Ou: “Assim ele vai aprender mais rápido, basta eu falar uma só vez e serei obedecido, ele vai saber quem manda aqui”.

Minha vontade é gritar: “Quem deu esse direito aos adultos?” E por que algumas pessoas continuam acreditando nisso? Esse “direito” de adulto bater em criança deveria ser cassado. É absurdo! É animal! É irracional!

Até os animais protegem os seus filhotes. Por que alguns seres humanos, racionais, não protegem os filhotes da nossa espécie?

É um assunto que tem que ser levado a sério. Temos que trazer este tema para o debate nacional. Criança não é “coisa”, é pessoa, e como pessoa e cidadã, precisa ser respeitada e protegida, precisa ser vista como prioridade, prioridade absoluta.

Há alguns anos, os maridos batiam nas mulheres sem que nada acontecesse. Era ‘normal’. Hoje, é crime bater numa mulher.

Há pouco mais de um século, um ser humano podia ser dono de outro ser humano.

A tragédia de Isabella causou comoção nacional, ganhou todas as manchetes de jornais, televisão, rádio, internet.  Muitas outras histórias trágicas acontecem todos os dias por aí e nem ficamos sabendo. São invisíveis?

Neste Brasil tão grande, quantas Isabellas já foram vítimas de violência e as pessoas não sabem?

Até quando vamos nos comover, falar no assunto durante dias, e depois continuar sabendo que situações como essas continuam acontecendo, “invisíveis”, até que uma outra manchete de jornal nos deixe indignados?

Quantos pais, mães, responsáveis com raiva por situações de trabalho, ou por falta dele, com uma fechada no trânsito, brigas com namorado (a), marido (mulher), estressados com o dia-a-dia descontam nos filhos?

E vão continuar descontando enquanto essa violência invisível não for recebida por toda a sociedade como crime.

Quando uma criança bate em outra, os pais dizem para não bater porque é falta de educação, é violência e tem que conversar com o amiguinho…Mas, como pai e como mãe, podem  bater e dizer que é  para educar???????

Como pode uma criança se defender de uma pessoa com o dobro do seu tamanho? Como se proteger e se defender daqueles que lhe deram a vida e, teoricamente, deveriam protegê-la?

Por que nossas crianças estão aprendendo dentro de casa o que é violência enquanto deveriam estar aprendendo o verdadeiro significado do amor?

Quando ouvimos uma criança pedindo socorro ou sendo agredida por seus pais temos que cruzar os braços?

Precisamos proteger nossas crianças com uma lei.

Vamos gritar juntos! Violência de pai, mãe e responsáveis contra criança não é educação, é crime!

Xuxa Meneghel)

O caso

No dia 29 de março, sábado, às 23h30, Isabella Nardoni caiu do sexto andar do prédio do pai, onde passava o final de semana, na zona norte de São Paulo.

A menina chegou a ser socorrida, mas morreu pouco depois. O pai da menina e a mulher foram à delegacia, onde disseram que alguém havia jogado Isabella do sexto andar, mas não sabiam informar o autor do crime.

No dia seguinte, familiares passaram o dia na delegacia prestando depoimento Os depoimentos duraram o dia todo e a polícia falou, pela primeira vez.

O delegado afirmou que se tratava de homicídio e não acidente, porque a menina não sofreu uma queda acidental.

Segundo a polícia, alguém rompera a tela protetora da janela e jogara a criança.

No dia 31, segunda-feira, a pequena Isabella foi enterrada.

Na investigação da polícia foram ouvidas diversas pessoas. A polícia ouviu o primeiro policial a chegar ao prédio, logo depois da morte, dois ex-vizinhos e três vizinhos da família.

Eles contaram que ouviram gritos. O advogado da família e o delegado tiveram interpretações diferentes sobre os depoimentos.

Nos dias seguintes, diversas versões foram divulgadas. A justiça decretou prisão do pai e da madrasta. No entanto, os dois só se entregaram depois.

Neste sábado, aniversário da mãe de Isabella, Ana Carolina, foi realizada a missa de sétimo dia.

Vi aqui.

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